A Banca rota, o futuro dos portugueses e muito mais
Por Manuel Brandão Alves
A Areia dos Dias
Com este post é minha intenção procurar chamar a atenção para “novidades” que vêm acontecendo e que em muito condicionam o futuro das portuguesas e dos portugueses. A algumas destas questões já fiz alusão em posts anteriores.
Nas últimas semanas muito se tem falado, senão ameaçado, com a possibilidade de bancarrota do Estado Português. Com o clima criado, voluntariamente ou não, têm-se vindo a suscitar estados de ansiedade e de medo sobre uma parte importante, porventura a menos esclarecida, da sociedade portuguesa.
Simultaneamente, têm vindo a ser divulgadas posturas e iniciativas que abrem horizontes de esperança ao nosso orgulho de “ser colectivo”. Vide por ex.: a petição sobre o “Pluralismo de opinião no debate político económico”, o último programa de “A voz do cidadão” da RTP 1 e a entrevista do Prof. Nuno Ferrand de Almeida ao Público.
Mas vamos por partes. Antes de mais a bancarrota. Até há relativamente poucas décadas não era muito comum falar-se de bancarrota a propósito dos Estados. Quem ia à bancarrota eram as empresas ou as pessoas. Tal acontecia quando deixavam de ser capazes de cumprir os seus compromissos, ficando numa situação de insolvência ou falência. Os Estados, dada a sua natureza, nunca seriam candidatos a situações de falência. A crescente interdependência dos Estados torna a perspectiva da bancarrota mais real.
No título acima quis chamar a atenção para a fragilidade das situações de bancarrota e, por isso escrevi “banca rota”. Quer isto dizer que, no caso dos bancos, eles estariam como que rotos, i. e. incapazes de segurarem tudo o que lá se coloque. A imagem é sugestiva, mas não é necessariamente verdadeira. Hoje, por ex. temos vindo a verificar que os bancos precisam de mais e mais dinheiro, para poderem conceder crédito, e é para isso para que eles existem e se tornam indispensáveis. O problema não está no exercício desta sua vocação genérica, mas na utilização dos créditos que concedem, não poucas vezes para financiamento de actividades especulativas de alto risco.
Os Bancos financiam-se a taxas de juro baixas (no Banco Central Europeu (BCE), por ex.) para depois colocarem os capitais assim disponibilizados em mercados com taxas de juro mais do que compensadoras, como por ex. o financiamento da dívida dos EUA. Só que as taxas de juro baixas do BCE somos todos nós que as pagamos, e os capitais que deveriam servir para financiar o arranque das nossas economias têm destinos diversos, como se vê.
(Ler aqui o artigo na íntegra)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
A Voz do Cidadão
O programa do Provedor da RTP, Prof. Paquete de Oliveira, ontem transmitido na RTP1, dedicado à Petição. Retransmissão hoje, dia 7, às 14.44h na RTP2 e na RTPN às 20.30h. Como o tempo voa, a RTP Memória retransmite às 20.55h.
sábado, 6 de novembro de 2010
Ecos na blogosfera (5)
Pluralidade no debate ou tempo de antena ?
Por JP Santos
Economia Política
Corre pela internet uma petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico. É uma posição com que simpatizo, não só porque acredito nas virtudes de um debate franco e aberto em que se defrontem as várias posições e perspectivas para a própria ciência económica, como penso que esse debate é ainda mais necessário num contexto de crise económica e financeira que está e irá continuar a conduzir a uma revisão do próprio quadro institucional de governação económica e financeira global e temo, pessoalmente, que, nomeadamente no contexto da União Europeia, essa revisão estará a ser dominada por um pensamento económico ortodoxo que não considero ser o mais adequado para a solução dos desafios que enfrentamos.
Julgo que o papel dinamizador desse debate deve ser sobretudo dinamizado no mundo académico, mas considero que também seria importante que esse debate fosse alaragado à sociedade em geral através dos meios de comunicação.
Mas, apesar disso, não subscrevi nem irei subscrever a petição. E não o farei porque considero que o debate deve ser vivo e até acalorado mas para que possa ser útil e frutuoso é necessário que haja, de todas as partes, um respeito mútuo pelas respectivas posições. Não é possível fazer qualquer debate sério e objectivo com o uso e abuso de uma retórica ad hominem, da caricatura e da distorção das posições dos "adversários" que infelizmente abunda nos círculos que, nomeadamente na blogosfera, tem vindo a promover esta petição e que são exemplificados em posts como este ou este.
Respeito profundamente as posições do Professor José Reis e do José Castro Caldas, que procuro sempre ouvir com toda a atenção. Mas não posso deixar de me sentir perturbado sobretudo pelo segundo post. Desde logo pelo título "Como o abaixo assinado a favor do pluralismo na informação já teve efeitos", pois pensava eu que a ideia era promover o "debate" mas parece que afinal se trata de defender a "pluralidade de informação" o que revela uma perigosa "confusão" perigosa entre "debate/comentário" e "informação". Mas o pior é a forma como o post revela um desprezo absoluto pelas outras posições expressas pelo debate e se caracteriza pelo uso de uma linguagem que de facto inviabiliza qualquer debate sério e objectivo. Algo que não é compatível com a utilização de expressões demasiado coloridas como "regabofe", "arrazoado de mentiras", "rouba os trabalhadores" ou "figurões do bloco central".
Sou completamente a favor de debate político-económico mais alaragdo, mas não contem comigo para reinvidicar tempos de antena.
Por JP Santos
Economia Política
Corre pela internet uma petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico. É uma posição com que simpatizo, não só porque acredito nas virtudes de um debate franco e aberto em que se defrontem as várias posições e perspectivas para a própria ciência económica, como penso que esse debate é ainda mais necessário num contexto de crise económica e financeira que está e irá continuar a conduzir a uma revisão do próprio quadro institucional de governação económica e financeira global e temo, pessoalmente, que, nomeadamente no contexto da União Europeia, essa revisão estará a ser dominada por um pensamento económico ortodoxo que não considero ser o mais adequado para a solução dos desafios que enfrentamos.
Julgo que o papel dinamizador desse debate deve ser sobretudo dinamizado no mundo académico, mas considero que também seria importante que esse debate fosse alaragado à sociedade em geral através dos meios de comunicação.
Mas, apesar disso, não subscrevi nem irei subscrever a petição. E não o farei porque considero que o debate deve ser vivo e até acalorado mas para que possa ser útil e frutuoso é necessário que haja, de todas as partes, um respeito mútuo pelas respectivas posições. Não é possível fazer qualquer debate sério e objectivo com o uso e abuso de uma retórica ad hominem, da caricatura e da distorção das posições dos "adversários" que infelizmente abunda nos círculos que, nomeadamente na blogosfera, tem vindo a promover esta petição e que são exemplificados em posts como este ou este.
Respeito profundamente as posições do Professor José Reis e do José Castro Caldas, que procuro sempre ouvir com toda a atenção. Mas não posso deixar de me sentir perturbado sobretudo pelo segundo post. Desde logo pelo título "Como o abaixo assinado a favor do pluralismo na informação já teve efeitos", pois pensava eu que a ideia era promover o "debate" mas parece que afinal se trata de defender a "pluralidade de informação" o que revela uma perigosa "confusão" perigosa entre "debate/comentário" e "informação". Mas o pior é a forma como o post revela um desprezo absoluto pelas outras posições expressas pelo debate e se caracteriza pelo uso de uma linguagem que de facto inviabiliza qualquer debate sério e objectivo. Algo que não é compatível com a utilização de expressões demasiado coloridas como "regabofe", "arrazoado de mentiras", "rouba os trabalhadores" ou "figurões do bloco central".
Sou completamente a favor de debate político-económico mais alaragdo, mas não contem comigo para reinvidicar tempos de antena.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Programa do Provedor RTP
Tendo tido conhecimento da Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, e sensibilizado pelas questões que a mesma suscita, o Provedor do Telespectador da RTP, Paquete de Oliveira, entendeu dedicar a próxima emissão do programa "A Voz do Cidadão" a esta iniciativa.
O programa será emitido na RTP1 no próximo sábado, a partir das 21.00h e no domingo, na RTP2, às 14.45h.
O programa será emitido na RTP1 no próximo sábado, a partir das 21.00h e no domingo, na RTP2, às 14.45h.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Entrega da Petição
O texto e lista de signatários da Petição pelo pluralismo no debate político-económico foi enviado, como inicialmente estabelecido, às direcções de programas da RTP, SIC e TVI; a responsáveis por programas de debate político e económico(*), aos grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
O êxito da petição em muito deve à divulgação que dela fizeram numerosos blogues. Correndo seriamente o risco de omissões, aqui fica o agradecimento dos promotores desta iniciativa aos seguintes: 2+2=5, 5 dias, A Educação do meu Umbigo, A Terceira Noite, Abrasivo, Arrastão, Arre macho, Arsenal dos Inválidos, Attac Portugal, Blogo Social Português, Conticasosnet, Conversa Avinagrada, Defender o Quadrado, Entre as brumas da memória, Esquerda.net, Ladrões de Bicicletas, Luminária, Mãos Visíveis, Ma-schamba, Minoria Relativa, O circo lusitano, O melhor e o pior, O que fica do que passa, O tempo das cerejas, Passos Perdidos, Precários Inflexíveis, Suite de Ideias, Vias de Facto.
(*) Programas "Prós e Contras", "Grande Entrevista", "O seu Dinheiro", "Contra-Análise" e "Negócios em Dia" (RTP); "Expresso da Meia Noite", "Negócios da Semana" e "Plano Inclinado" (SIC); "Contas à Vida" e "A verdade dos Números" (TVI).
O êxito da petição em muito deve à divulgação que dela fizeram numerosos blogues. Correndo seriamente o risco de omissões, aqui fica o agradecimento dos promotores desta iniciativa aos seguintes: 2+2=5, 5 dias, A Educação do meu Umbigo, A Terceira Noite, Abrasivo, Arrastão, Arre macho, Arsenal dos Inválidos, Attac Portugal, Blogo Social Português, Conticasosnet, Conversa Avinagrada, Defender o Quadrado, Entre as brumas da memória, Esquerda.net, Ladrões de Bicicletas, Luminária, Mãos Visíveis, Ma-schamba, Minoria Relativa, O circo lusitano, O melhor e o pior, O que fica do que passa, O tempo das cerejas, Passos Perdidos, Precários Inflexíveis, Suite de Ideias, Vias de Facto.
(*) Programas "Prós e Contras", "Grande Entrevista", "O seu Dinheiro", "Contra-Análise" e "Negócios em Dia" (RTP); "Expresso da Meia Noite", "Negócios da Semana" e "Plano Inclinado" (SIC); "Contas à Vida" e "A verdade dos Números" (TVI).
sábado, 30 de outubro de 2010
Comunicado de Imprensa (2)
Preocupados com os termos em que tem sido realizada a discussão mediática das opções económicas do país, um conjunto de cidadãos aderiu à Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, cujo conteúdo e lista de signatários se envia em anexo.
Lançada a 5 de Outubro de2010, a petição reuniu mais de 1000 assinaturas na primeira semana, dando assim eco à percepção da existência de um discurso tendencialmente monolítico e redundante no comentário político-económico, tanto em espaços noticiosos como em programas específicos de análise económica. Situação que se revela particularmente expressiva nos canais televisivos, que constituem os meios de comunicação de massas por excelência.
Perante a situação em que o país se encontra, os peticionários consideram que este estreitamento dos termos do debate empobrece de modo muito preocupante a discussão pública das opções em jogo, não espelhando o debate entre diferentes correntes, que atravessa o próprio pensamento económico. Trata-se, por isso, de uma limitação no acesso da opinião pública a visões plurais sobre a actualidade económica, que nega o papel intrínseco de intermediação dos meios de comunicação social.
A petição foi subscrita por personalidades de diversas áreas, da Economia ao Jornalismo, das Artes ao mundo académico. Entre os promotores e peticionários constam André Freire, António Pinho Vargas, Cláudio Teixeira, Daniel Oliveira, Diana Andringa, Isabel do Carmo, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, João Galamba, João Rodrigues, José Leitão, José Manuel Pureza, José Maria Castro Caldas, José Reis, Luís Salgado de Matos, Luísa Costa Gomes, Maria Manuela Cruzeiro, Mário Brochado Coelho, Miguel Cardina, Nuno Serra, Paula Godinho, Raimundo Narciso, Rui Bebiano, Rui Tavares, Sandra Monteiro e Vítor Dias.
Exigindo o pluralismo de opinião no debate político económico nos meios de comunicação social, a petição foi remetida às direcções de informação dos diferentes canais de televisão, a responsáveis por programas de análise político-económica e aos meios de comunicação social em geral, sendo igualmente dado conhecimento da mesma aos Grupos Parlamentares e à Alta Autoridade para a Comunicação Social (ERC).
Lisboa, 30 de Outubro de 2010
Lançada a 5 de Outubro de
Perante a situação em que o país se encontra, os peticionários consideram que este estreitamento dos termos do debate empobrece de modo muito preocupante a discussão pública das opções em jogo, não espelhando o debate entre diferentes correntes, que atravessa o próprio pensamento económico. Trata-se, por isso, de uma limitação no acesso da opinião pública a visões plurais sobre a actualidade económica, que nega o papel intrínseco de intermediação dos meios de comunicação social.
A petição foi subscrita por personalidades de diversas áreas, da Economia ao Jornalismo, das Artes ao mundo académico. Entre os promotores e peticionários constam André Freire, António Pinho Vargas, Cláudio Teixeira, Daniel Oliveira, Diana Andringa, Isabel do Carmo, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, João Galamba, João Rodrigues, José Leitão, José Manuel Pureza, José Maria Castro Caldas, José Reis, Luís Salgado de Matos, Luísa Costa Gomes, Maria Manuela Cruzeiro, Mário Brochado Coelho, Miguel Cardina, Nuno Serra, Paula Godinho, Raimundo Narciso, Rui Bebiano, Rui Tavares, Sandra Monteiro e Vítor Dias.
Exigindo o pluralismo de opinião no debate político económico nos meios de comunicação social, a petição foi remetida às direcções de informação dos diferentes canais de televisão, a responsáveis por programas de análise político-económica e aos meios de comunicação social em geral, sendo igualmente dado conhecimento da mesma aos Grupos Parlamentares e à Alta Autoridade para a Comunicação Social (ERC).
Lisboa, 30 de Outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
«os economistas»
Por Nuno Serra
Ladrões de Bicicletas
RTP1, Telejornal, 20.37h. Depois de dissecar a não consumação do acordo entre o Governo e o PSD relativamente ao Orçamento de Estado, José Rodrigues dos Santos (minuto 37 do vídeo) refere que “a ruptura entre o PSD e o governo foi mal recebida pelos economistas”, anunciando assim uma peça com entrevistas a Ferraz da Costa (antigo presidente da CIP), João Salgueiro (ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos), Fernando Ulrich (Presidente do BPI) e Mira Amaral (ministro nos governos de Cavaco Silva).
Estava dada, nos termos em que José Rodrigues dos Santos apresentou o conjunto de entrevistas, a opinião de «os economistas», que o jornalista sintetizaria – perante as questões colocadas – no facto de estes acharem ser “preferível um orçamento adequado e eficaz do que um documento aprovado a qualquer custo”.
Com outro painel, a síntese obtida poderia ser eventualmente a mesma. O ponto não é esse. O ponto é o de se pressupor que, ouvindo estas quatro individualidades, se torna possível conhecer, à partida, a opinião que «os economistas» têm sobre as mais diversas matérias.
Faça-se o exercício de tentar posicionar estes comentadores no espectro político-partidário, no campo de perspectivas do pensamento económico e nas tendências de parecer face a questões concretas. E ter-se-á uma noção clara sobre a estreiteza do conceito de pluralismo de opinião que o serviço público de televisão tem, em matéria de debate económico.
Ladrões de Bicicletas
RTP1, Telejornal, 20.37h. Depois de dissecar a não consumação do acordo entre o Governo e o PSD relativamente ao Orçamento de Estado, José Rodrigues dos Santos (minuto 37 do vídeo) refere que “a ruptura entre o PSD e o governo foi mal recebida pelos economistas”, anunciando assim uma peça com entrevistas a Ferraz da Costa (antigo presidente da CIP), João Salgueiro (ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos), Fernando Ulrich (Presidente do BPI) e Mira Amaral (ministro nos governos de Cavaco Silva).
Estava dada, nos termos em que José Rodrigues dos Santos apresentou o conjunto de entrevistas, a opinião de «os economistas», que o jornalista sintetizaria – perante as questões colocadas – no facto de estes acharem ser “preferível um orçamento adequado e eficaz do que um documento aprovado a qualquer custo”.
Com outro painel, a síntese obtida poderia ser eventualmente a mesma. O ponto não é esse. O ponto é o de se pressupor que, ouvindo estas quatro individualidades, se torna possível conhecer, à partida, a opinião que «os economistas» têm sobre as mais diversas matérias.
Faça-se o exercício de tentar posicionar estes comentadores no espectro político-partidário, no campo de perspectivas do pensamento económico e nas tendências de parecer face a questões concretas. E ter-se-á uma noção clara sobre a estreiteza do conceito de pluralismo de opinião que o serviço público de televisão tem, em matéria de debate económico.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Ecos na blogosfera (4)
A crise e o ilusionismo
Por JAG
Clube dos Jornalistas
Está aberta há duas semanas uma petição na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos (ver notícia aqui). Os promotores entendem que os canais de TV seleccionam os comentadores num grupo muito restrito e que as opiniões expressas naquele meio sobre a crise financeira são redundantes. Dito de um modo mais directo, as televisões impõem um pensamento único. E a verdade é que existe uma grande diversidade de opiniões. A prova é este video intitulado “O grande casino europeu”, que explica em termos simples como se transforma uma dívida privada em dívida pública. É informação alternativa.
Por JAG
Clube dos Jornalistas
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| Vídeo: El gran casino Europeo |
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Ecos na blogosfera (3)
Pelo pluralismo de informação
P de preconceito
Por Vítor Dias
O Tempo das Cerejas
Numa circunstância nacional de enorme tensão e gravidade sociais e políticas, o PCP realizou ontem uma reunião do seu Comité Central seguida de uma conferência de imprensa de Jerónimo de Sousa e da divulgação do comunicado que pode ser lido aqui. Pois acontece que no Público (e também no DN a avaliar pela consulta da edição online) não há a mais pequena referência àquela reunião e às suas conclusões. Saibam entretanto os leitores que o Público - e muito bem - continuou, na sua edição de hoje, a dedicar várias páginas a escapelizar a proposta de Orçamento mas já entendeu inconveniente colar-lhes as críticas do PCP. E saibam também os leitores que ao Público não faltou espaço para dedicar uma página inteira à proposta de revisão constitucional do PS (oh momentosa e crucial questão !), meia página às cenas de faca e alguidar que se vivem na Federação do PS de Coimbra, uma página inteira (que não contesto) às espécies de plantas que existem em Portugal e ainda umas linhas com as opiniões de João Duque, Jorge Miranda e António Pires de Lima sobre os cenários políticos próximos.
Pois é, como os leitores poderão ver na barra lateral direita, também neste blogue se promove a petição em curso pelo "pluralismo de opinião no debate político-económico". Bom será porém que não se esqueça que, como se vê pela amostra junta, continua actual e candente a luta pelo pluralismo na informação.
P de preconceito
Por Vítor Dias
O Tempo das Cerejas
Numa circunstância nacional de enorme tensão e gravidade sociais e políticas, o PCP realizou ontem uma reunião do seu Comité Central seguida de uma conferência de imprensa de Jerónimo de Sousa e da divulgação do comunicado que pode ser lido aqui. Pois acontece que no Público (e também no DN a avaliar pela consulta da edição online) não há a mais pequena referência àquela reunião e às suas conclusões. Saibam entretanto os leitores que o Público - e muito bem - continuou, na sua edição de hoje, a dedicar várias páginas a escapelizar a proposta de Orçamento mas já entendeu inconveniente colar-lhes as críticas do PCP. E saibam também os leitores que ao Público não faltou espaço para dedicar uma página inteira à proposta de revisão constitucional do PS (oh momentosa e crucial questão !), meia página às cenas de faca e alguidar que se vivem na Federação do PS de Coimbra, uma página inteira (que não contesto) às espécies de plantas que existem em Portugal e ainda umas linhas com as opiniões de João Duque, Jorge Miranda e António Pires de Lima sobre os cenários políticos próximos.
Pois é, como os leitores poderão ver na barra lateral direita, também neste blogue se promove a petição em curso pelo "pluralismo de opinião no debate político-económico". Bom será porém que não se esqueça que, como se vê pela amostra junta, continua actual e candente a luta pelo pluralismo na informação.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Como o abaixo-assinado a favor do pluralismo na informação já teve efeitos
Por Jorge Nascimento Fernandes
Trix-Nitrix
O Expresso da Meia Noite, da SIC Notícias, provavelmente envergonhado por escolher sempre gente com o mesmo pensamento económico, resolveu nos dois últimos debates que realizou convidar, no anterior, Francisco Louçã e, neste último, fartura das farturas, José Reis, professor de economia em Coimbra, que parece que é da área do PS, mas que tem dado colaboração a muitas iniciativas da esquerda à esquerda do PS, e o Ladrão de Bicicletas José Maria Castro Caldas. Os outros eram os do costume, de quem já nem me recordo o nome.
José Reis insurgiu-se contra a atitude da Nova Europa dominada pela Alemanha da Sr.ª Angela Merkel, que, num egoísmo extremo, impede o Banco Central Europeu de resolver as dificuldades económicas dos Estados aflitos. Ou seja, empresta aos bancos e não empresta aos Estados e estes, para se financiarem, têm que pagar os juros que aqueles lhes exigem. Um verdadeiro regabofe. Primeira verdade que neste arrazoado de mentiras e desinformação coloca a UE, e o tratado de Lisboa, como os principais responsáveis pela situação deplorável a que chegaram os Estados mais frágeis do Sul da Europa.
José Maria Castro Caldas, mais incisivo ainda, adiantou que o que se estava a passar correspondia a situações anteriores em que os Estados para baixar os salários e facilitar as exportações, em vez de desvalorizar a moeda, que presentemente não é possível porque estamos no Euro, impõe um orçamento extremamente recessivo, que na prática diminui os salários. Em qualquer dos casos rouba os trabalhadores, diminuindo o seu poder de compra e não garantindo o aumento das exportações.
Em segundo lugar atacou, e bem, as parcerias público privadas, considerando que os contratos estabelecidos com as empresas eram sempre ruinosos para o Estado, na medida em que depois de ter corrido com o pessoal especializado na elaboração destes contratos, atribuía a gabinetes de advogados a sua redacção, que de um modo geral também trabalhavam para a parte contrária. Todos lucravam, menos um, que é o Estado.
Aqui temos pois que quando se permite que opiniões diferentes cheguem aos ecrãs da televisão algumas verdades vêm ao de cima. No entanto, é bom chamarmos a atenção para isto: primeiro, este programa foi interrompido permanentemente com reportagens da Assembleia da República onde todo o momento estava para chegar a pen com o orçamento, o que perturbou imenso a fluência do debate. Segundo, Ricardo Costa estava constantemente a interromper Castro Caldas, com aquelas perguntas que a ideologia dominante utiliza sempre nestas circunstâncias, quebrando a fluidez do discurso daquele economista.
Mas não era passado um dia sobre esta pequena conquista na televisão, quando é anunciado que a TV do Estado, a RTP2, tinha contratado para seus comentadores os economistas Daniel Bessa e Victor Bento. Dois figurões do bloco central que lá irão reproduzir o pensamento económico dominante.
Trix-Nitrix
O Expresso da Meia Noite, da SIC Notícias, provavelmente envergonhado por escolher sempre gente com o mesmo pensamento económico, resolveu nos dois últimos debates que realizou convidar, no anterior, Francisco Louçã e, neste último, fartura das farturas, José Reis, professor de economia em Coimbra, que parece que é da área do PS, mas que tem dado colaboração a muitas iniciativas da esquerda à esquerda do PS, e o Ladrão de Bicicletas José Maria Castro Caldas. Os outros eram os do costume, de quem já nem me recordo o nome.
José Reis insurgiu-se contra a atitude da Nova Europa dominada pela Alemanha da Sr.ª Angela Merkel, que, num egoísmo extremo, impede o Banco Central Europeu de resolver as dificuldades económicas dos Estados aflitos. Ou seja, empresta aos bancos e não empresta aos Estados e estes, para se financiarem, têm que pagar os juros que aqueles lhes exigem. Um verdadeiro regabofe. Primeira verdade que neste arrazoado de mentiras e desinformação coloca a UE, e o tratado de Lisboa, como os principais responsáveis pela situação deplorável a que chegaram os Estados mais frágeis do Sul da Europa.
José Maria Castro Caldas, mais incisivo ainda, adiantou que o que se estava a passar correspondia a situações anteriores em que os Estados para baixar os salários e facilitar as exportações, em vez de desvalorizar a moeda, que presentemente não é possível porque estamos no Euro, impõe um orçamento extremamente recessivo, que na prática diminui os salários. Em qualquer dos casos rouba os trabalhadores, diminuindo o seu poder de compra e não garantindo o aumento das exportações.
Em segundo lugar atacou, e bem, as parcerias público privadas, considerando que os contratos estabelecidos com as empresas eram sempre ruinosos para o Estado, na medida em que depois de ter corrido com o pessoal especializado na elaboração destes contratos, atribuía a gabinetes de advogados a sua redacção, que de um modo geral também trabalhavam para a parte contrária. Todos lucravam, menos um, que é o Estado.
Aqui temos pois que quando se permite que opiniões diferentes cheguem aos ecrãs da televisão algumas verdades vêm ao de cima. No entanto, é bom chamarmos a atenção para isto: primeiro, este programa foi interrompido permanentemente com reportagens da Assembleia da República onde todo o momento estava para chegar a pen com o orçamento, o que perturbou imenso a fluência do debate. Segundo, Ricardo Costa estava constantemente a interromper Castro Caldas, com aquelas perguntas que a ideologia dominante utiliza sempre nestas circunstâncias, quebrando a fluidez do discurso daquele economista.
Mas não era passado um dia sobre esta pequena conquista na televisão, quando é anunciado que a TV do Estado, a RTP2, tinha contratado para seus comentadores os economistas Daniel Bessa e Victor Bento. Dois figurões do bloco central que lá irão reproduzir o pensamento económico dominante.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
RTP - A leste do Pluralismo
Por Joana Lopes
Entre as brumas da memória
Na Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, ainda em fase de recolha de assinaturas mas que será em breve encerrada, especifica-se uma exigência dirigida «em particular às televisões e, sobretudo, àquela a quem compete prestar “serviço público”»
Acontece que, entretanto, por mera coincidência ou nem por isso, parece existir uma especial atenção da SIC nos últimos dias (Expresso da Meia-Noite de 15 de Outubro com José Reis e José Castro caldas, oh, meu deus!...). Já a RTP avança em sentido oposto e anuncia como comentadores permanentes os economistas Daniel Bessa e Vítor Bento.
Comentários para quê…Mas razão adicional para se pressionar quem de direito, numa última oportunidade para assinar e divulgar a Petição.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Ecos na imprensa (4)
Petição exige pluralismo na análise à crise económica
A.23 Online, 18 de Outubro
Uma petição na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana, anunciaram hoje os responsáveis. Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se “contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social” na “análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso”, o que, defendem, “resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspetiva sobre as questões em debate”.
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi “a estranheza e a perplexidade” com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem “uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam”.
“Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada”, afirmou.
Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional “parte de vários pressupostos” que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que “o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia”.
O promotor da petição considera que “a perplexidade é essa, porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os Estados Unidos da América estão a adotar”, mas “a Europa continua, infelizmente, numa perspetiva de continuidade de políticas que estiveram, afinal, por detrás da crise”.
Os organizadores da petição consideram existir um “preocupante silenciamento” de sectores político-sociais e de “reputados economistas que têm contestado a lógica das medidas adotadas”, exigindo aos media, “em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar serviço público”, que “respeitem o pluralismo no debate político-económico”.
Menos do que isso, dizem, “é ficar aquém da democracia e do esclarecimento”.
A petição tem como destinatários as direções de informação das televisões, outros órgãos de comunicação social, grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
A.23 Online, 18 de Outubro
Uma petição na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana, anunciaram hoje os responsáveis. Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se “contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social” na “análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso”, o que, defendem, “resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspetiva sobre as questões em debate”.
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi “a estranheza e a perplexidade” com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem “uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam”.
“Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada”, afirmou.
Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional “parte de vários pressupostos” que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que “o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia”.
O promotor da petição considera que “a perplexidade é essa, porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os Estados Unidos da América estão a adotar”, mas “a Europa continua, infelizmente, numa perspetiva de continuidade de políticas que estiveram, afinal, por detrás da crise”.
Os organizadores da petição consideram existir um “preocupante silenciamento” de sectores político-sociais e de “reputados economistas que têm contestado a lógica das medidas adotadas”, exigindo aos media, “em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar serviço público”, que “respeitem o pluralismo no debate político-económico”.
Menos do que isso, dizem, “é ficar aquém da democracia e do esclarecimento”.
A petição tem como destinatários as direções de informação das televisões, outros órgãos de comunicação social, grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
domingo, 17 de outubro de 2010
Ecos na imprensa (3)
Porque não mudam os políticos?
Actores do complexo político-mediático português tendem a eternizar-se, o que leva à ausência de novos ângulos de abordagem
Fátima Mariano
Jornal de Notícias, 17 de Outubro
A crítica foi feita na última semana pelo antigo presidente da República Jorge Sampaio: os rostos da política portuguesa não se alteraram nos últimos 30 anos, apenas envelheceram. E é imperativo que haja um rejuvenescimento nesta área para bem da saúde democrática, defende Sampaio.
Embora esta continuidade tenha vantagens, porque a profissionalização significa ter pessoas melhor qualificadas nas áreas em que vão trabalhar, como defende Manuel Merinho, da Universidade de Lisboa, também tem o seu lado negativo. "Esta cristalização limita potencialmente as ideias e o envolvimento dos cidadãos nos partidos", sustenta Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro.
Na área do comentário político-económico, sobretudo em televisão, o cenário não é muito diferente e está, também, sujeito a críticas. Há cerca de uma semana foi lançada um petição online "contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social" na "análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso", o que, defendem os seus promotores, "resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspectiva sobre as questões em debate".
Investigadores na área da comunicação social consideram que esta realidade se deve, por um lado, ao facto de os canais de televisão "arriscarem muito pouco, pelos investimentos envolvidos" e, por outro, não investirem tempo na procura de novos rostos, que consigam aportar novos ângulos sobre a vida nacional.
Críticas rejeitadas pelos directores de informação dos três canais generalistas de televisão, que defendem haver novos comentadores e novas opiniões.
Habituámo-nos a vê-los ano após ano no espaço político-mediático. Ocupando cargos partidários, de governação ou na administração de institutos ou empresas públicas. Muitos começaram a entrar na esfera pública como militantes das juventudes partidárias e/ou líderes estudantis. Outros, uma minoria, iniciaram-se como independentes, mas acabaram por inscreverem-se nos partidos políticos.
O antigo chefe de Estado, Jorge Sampaio, criticou, na última semana, esta realidade, dizendo que os rostos da política portuguesa pouco se alteraram nas últimas três décadas e defendendo a necessidade do seu rejuvenescimento. Mas esta fraca renovação das elites político-partidárias tem um lado positivo para as democracias, defende Manuel Meirinho, professor de Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política da Universidade Técnica de Lisboa. (...)
(Ler aqui o artigo na íntegra)
Actores do complexo político-mediático português tendem a eternizar-se, o que leva à ausência de novos ângulos de abordagem
Fátima Mariano
Jornal de Notícias, 17 de Outubro
A crítica foi feita na última semana pelo antigo presidente da República Jorge Sampaio: os rostos da política portuguesa não se alteraram nos últimos 30 anos, apenas envelheceram. E é imperativo que haja um rejuvenescimento nesta área para bem da saúde democrática, defende Sampaio.
Embora esta continuidade tenha vantagens, porque a profissionalização significa ter pessoas melhor qualificadas nas áreas em que vão trabalhar, como defende Manuel Merinho, da Universidade de Lisboa, também tem o seu lado negativo. "Esta cristalização limita potencialmente as ideias e o envolvimento dos cidadãos nos partidos", sustenta Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro.
Na área do comentário político-económico, sobretudo em televisão, o cenário não é muito diferente e está, também, sujeito a críticas. Há cerca de uma semana foi lançada um petição online "contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social" na "análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso", o que, defendem os seus promotores, "resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspectiva sobre as questões em debate".
Investigadores na área da comunicação social consideram que esta realidade se deve, por um lado, ao facto de os canais de televisão "arriscarem muito pouco, pelos investimentos envolvidos" e, por outro, não investirem tempo na procura de novos rostos, que consigam aportar novos ângulos sobre a vida nacional.
Críticas rejeitadas pelos directores de informação dos três canais generalistas de televisão, que defendem haver novos comentadores e novas opiniões.
Habituámo-nos a vê-los ano após ano no espaço político-mediático. Ocupando cargos partidários, de governação ou na administração de institutos ou empresas públicas. Muitos começaram a entrar na esfera pública como militantes das juventudes partidárias e/ou líderes estudantis. Outros, uma minoria, iniciaram-se como independentes, mas acabaram por inscreverem-se nos partidos políticos.
O antigo chefe de Estado, Jorge Sampaio, criticou, na última semana, esta realidade, dizendo que os rostos da política portuguesa pouco se alteraram nas últimas três décadas e defendendo a necessidade do seu rejuvenescimento. Mas esta fraca renovação das elites político-partidárias tem um lado positivo para as democracias, defende Manuel Meirinho, professor de Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política da Universidade Técnica de Lisboa. (...)
(Ler aqui o artigo na íntegra)
sábado, 16 de outubro de 2010
Ecos na imprensa (2)
Petição na Net pede pluralismo na TV
Em menos de uma semana, a petição já recolheu mais de mil assinaturas de cidadãos
Diário de Notícias, 16 de Outubro
Uma petição na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana, anunciaram ontem os responsáveis. Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se "contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social" na "análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso", o que, defendem, "resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspectiva sobre as questões em debate".
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi "a estranheza e a perplexidade" com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem "uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam".
"Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada", afirmou. Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional "parte de vários pressupostos" que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que "o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia".
A perplexidade é essa, "porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os EUA estão a adoptar".
Em menos de uma semana, a petição já recolheu mais de mil assinaturas de cidadãos
Diário de Notícias, 16 de Outubro
Uma petição na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana, anunciaram ontem os responsáveis. Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se "contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social" na "análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso", o que, defendem, "resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspectiva sobre as questões em debate".
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi "a estranheza e a perplexidade" com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem "uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam".
"Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada", afirmou. Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional "parte de vários pressupostos" que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que "o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia".
A perplexidade é essa, "porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os EUA estão a adoptar".
Ecos na imprensa (1)
Petição online com mais de 1000 assinaturas exige pluralismo na análise à crise económica
Público, 15 de Outubro (*)
Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se “contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social” na “análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso”, o que, defendem, “resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspetiva sobre as questões em debate”.
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi “a estranheza e a perplexidade” com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem “uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam”.
“Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada”, afirmou.
Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional “parte de vários pressupostos” que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que “o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia”.
O promotor da petição considera que “a perplexidade é essa, porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os Estados Unidos da América estão a adotar”, mas “a Europa continua, infelizmente, numa perspetiva de continuidade de políticas que estiveram, afinal, por detrás da crise”.
Os organizadores da petição consideram existir um “preocupante silenciamento” de sectores político-sociais e de “reputados economistas que têm contestado a lógica das medidas adotadas”, exigindo aos media, “em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar serviço público”, que “respeitem o pluralismo no debate político-económico”.
Menos do que isso, dizem, “é ficar aquém da democracia e do esclarecimento”.
A petição tem como destinatários as direções de informação das televisões, outros órgãos de comunicação social, grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
(*) Notícia igualmente referida no blogue Peso & Medida
Público, 15 de Outubro (*)
Em nota, os promotores, que gerem também o blogue Pluralismo no Debate, insurgem-se “contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social” na “análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso”, o que, defendem, “resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspetiva sobre as questões em debate”.
Nuno Serra, um dos promotores da petição, explicou à Lusa que foi “a estranheza e a perplexidade” com o facto de os meios de comunicação, nomeadamente as televisões de canal aberto, apresentarem “uma redundância de opiniões face à situação financeira do país e ao momento de crise que o país e a Europa atravessam”.
“Vemos normalmente as mesmas caras e o discurso económico tem uma divergência mínima. Esperaríamos dos meios de comunicação, nomeadamente das televisões de canal aberto, que dessem conta desse pluralismo de opiniões do debate intenso que se tem travado no seio da economia e aquilo que constatamos é que o âmbito da discussão é feito de uma forma absolutamente confinada”, afirmou.
Para Nuno Serra, o debate mediático da política económica nacional “parte de vários pressupostos” que não são universais: a discussão mediática da economia portuguesa assume que “o único caminho a seguir é o do combate ao défice e a recusa de políticas expansionistas que pudessem causar a retoma da economia”.
O promotor da petição considera que “a perplexidade é essa, porque os meios de comunicação deverão ser os primeiros a promover o contraditório, quando esse debate existe na academia e nas diferentes políticas que os Estados Unidos da América estão a adotar”, mas “a Europa continua, infelizmente, numa perspetiva de continuidade de políticas que estiveram, afinal, por detrás da crise”.
Os organizadores da petição consideram existir um “preocupante silenciamento” de sectores político-sociais e de “reputados economistas que têm contestado a lógica das medidas adotadas”, exigindo aos media, “em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar serviço público”, que “respeitem o pluralismo no debate político-económico”.
Menos do que isso, dizem, “é ficar aquém da democracia e do esclarecimento”.
A petição tem como destinatários as direções de informação das televisões, outros órgãos de comunicação social, grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
(*) Notícia igualmente referida no blogue Peso & Medida
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Círculo já sem quadratura
Por Joana Lopes
Entre as brumas da memória
Assisti hoje a uma notável exibição de ausência de um mínimo de pluralismo no debate político: a repetição do programa «Quadratura do Círculo», emitido ontem à noite pela SIC Notícias.
Nem sequer pondo em causa que uma estação de televisão, por ser privada, possa escolher os comentadores que entender, e sendo certo que os elementos que compõem o painel são os mesmos desde há muito, deu-se agora um salto qualitativo no sentido de uma convergência cada vez maior de posições, ancorada na fatídica «inevitabilidade» do destino negro que, «lá fora», outros estão a decidir por nós para os próximos longos tempos.
Só a distribuição de culpas parece distinguir defesas e ataques, já que, quanto ao resto, se ouvem afirmações perfeitamente cristalinas, como esta de Pacheco Pereira: «O que se vai votar é tão importante para o PS como para o PSD e o Orçamento não seria muito diferente se fosse este último a fazê-lo». Sic.
Mais esclarecedora ainda foi a posição assertiva de António Costa, para quem o país tem um verdadeiro problema de governabilidade porque as maiorias absolutas são raras e as coligações difíceis – sobretudo à esquerda, porque 20% do eleitorado (peanuts…) é representado por partidos com os quais não é possível funcionar. Que fazer então? Uma coligação PS – PSD? Não, porque há que permitir a alternância. Mas estes dois partidos devem criar condições para que aquele que ganhar governe, com base num «pacto de regime» que assegure a aprovação do programa e do orçamento, bem como a gestão de moções de censura e de confiança. Assim mesmo, sem tirar nem pôr e para todo o sempre.
É isto que entra pela nossa casa dentro, é contra este monolitismo que se impõe a exigência de diversidade e é nesta batalha que se insere a Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, lançada há dez dias, e que conta já com mais de 1.000 assinaturas.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Ecos na blogosfera (2)
Mais uma vez a ofensiva ideológica da direita e uma petição pelo pluralismo nos media
por Jorge Nascimento Fernandes
Não quero pavonear-me com louros que não conquistei, mas tenho para mim que fui um dos primeiros a denunciar a ofensiva ideológica da direita traduzida na escolha de comentadores e de programas televisivos que faziam uma clara apologia das opções económica, financeiras e políticas da ideologia neo-liberal ou simplesmente de direita.
Numa pesquisa breve deste tema no meu blog encontro desde logo um post em Janeiro deste ano, outro em Fevereiro e posteriormente em Junho, e em Julho, este e este, terminando, já em Setembro, com este.
Referindo-se sempre a uma situação concreta, todos eles fazem uma clara denúncia da ofensiva da direita em termos políticos e ideológicos e da permanente ocupação de todo o espaço mediático pela direita. O PS aparece em todos eles como incapaz de reagir ou como colaborador activo desta encenação.
Muitos comentadores da blogosfera, e não irei em concreto citar nenhum, têm referido a desvergonha que é o pensamento único, que justifica a ofensiva do Governo e as propostas da oposição de direita que lhe são semelhantes, ocupar por inteiro todos os media, não havendo lugar para o contraditório. Não vi ainda o Sr. Pacheco Pereira incomodado com isto, tão pressuroso em denunciar a falte de contraditório na TV estatal em relação o que diz o primeiro-ministro.
Em relação ao meu post anterior e cujo conteúdo provocou uma chusma de insultos por parte alguém do PCP, gostaria só de acrescentar uma pequena adenda. A ofensiva que tenho vindo a denunciar é da direita e visava, de facto, levar o Governo a aplicar as medidas que tomou. O PS andou durante quase todo o Verão a engonhar, refugiando-se num oásis que só existia nas palavras de Sócrates ou então a garantir a sua imaculada defesa do estado social.
Para tentar sobreviver, Sócrates lança-se para a frente e aplica em doses maciças tudo aquilo que há meses lhe andavam a soprar. Portanto, os comentadores escolhidos a dedo pelos media não só aplaudem as medias tomadas, porque eram aquelas que eles andavam há muito a pedir, como se preparam para exigir mais ou a justificar o provável fracasso destas pela incompetência do Governo ou pelo atraso na sua aplicação. Em qualquer dos casos estão todos de acordo. Mas isto não invalida aquilo que eu explanei na minha última intervenção.
O inimigo principal continua a ser a direita, que conta com a colaboração activa do PS, que não se importa de se suicidar como partido do Governo a ter que alterar a sua política de direita, está-lhe na massa do sangue. Sócrates espera poder sobreviver entre os pingos da chuva, recorrendo à impossibilidade constitucional de dissolver a Assembleia da República e à necessidade de o presidente Cavaco ser eleito e por isso querer o orçamento aprovado. Mas a longo prazo, que não deve exceder um ano, deve estar quase moribundo ou então num golpe de asa consegue sobreviver. A ver vamos, e sofrendo, no entanto, as agruras da crise.
PS.: já estava este post escrito, quando me chegou à caixa dos e-mails a notícia que circulava na net e no facebook uma petição referente ao pluralismo de opinião no debate político-económico. No fundo, vinha na sequência das denúncias que eu tinha feito relativamente à ofensiva político-ideológica que pretendia transmitir um pensamento único nas televisões. O site é este e, se os meus leitores estiverem de acordo, assinem.
por Jorge Nascimento Fernandes
Não quero pavonear-me com louros que não conquistei, mas tenho para mim que fui um dos primeiros a denunciar a ofensiva ideológica da direita traduzida na escolha de comentadores e de programas televisivos que faziam uma clara apologia das opções económica, financeiras e políticas da ideologia neo-liberal ou simplesmente de direita.
Numa pesquisa breve deste tema no meu blog encontro desde logo um post em Janeiro deste ano, outro em Fevereiro e posteriormente em Junho, e em Julho, este e este, terminando, já em Setembro, com este.
Referindo-se sempre a uma situação concreta, todos eles fazem uma clara denúncia da ofensiva da direita em termos políticos e ideológicos e da permanente ocupação de todo o espaço mediático pela direita. O PS aparece em todos eles como incapaz de reagir ou como colaborador activo desta encenação.
Muitos comentadores da blogosfera, e não irei em concreto citar nenhum, têm referido a desvergonha que é o pensamento único, que justifica a ofensiva do Governo e as propostas da oposição de direita que lhe são semelhantes, ocupar por inteiro todos os media, não havendo lugar para o contraditório. Não vi ainda o Sr. Pacheco Pereira incomodado com isto, tão pressuroso em denunciar a falte de contraditório na TV estatal em relação o que diz o primeiro-ministro.
Em relação ao meu post anterior e cujo conteúdo provocou uma chusma de insultos por parte alguém do PCP, gostaria só de acrescentar uma pequena adenda. A ofensiva que tenho vindo a denunciar é da direita e visava, de facto, levar o Governo a aplicar as medidas que tomou. O PS andou durante quase todo o Verão a engonhar, refugiando-se num oásis que só existia nas palavras de Sócrates ou então a garantir a sua imaculada defesa do estado social.
Para tentar sobreviver, Sócrates lança-se para a frente e aplica em doses maciças tudo aquilo que há meses lhe andavam a soprar. Portanto, os comentadores escolhidos a dedo pelos media não só aplaudem as medias tomadas, porque eram aquelas que eles andavam há muito a pedir, como se preparam para exigir mais ou a justificar o provável fracasso destas pela incompetência do Governo ou pelo atraso na sua aplicação. Em qualquer dos casos estão todos de acordo. Mas isto não invalida aquilo que eu explanei na minha última intervenção.
O inimigo principal continua a ser a direita, que conta com a colaboração activa do PS, que não se importa de se suicidar como partido do Governo a ter que alterar a sua política de direita, está-lhe na massa do sangue. Sócrates espera poder sobreviver entre os pingos da chuva, recorrendo à impossibilidade constitucional de dissolver a Assembleia da República e à necessidade de o presidente Cavaco ser eleito e por isso querer o orçamento aprovado. Mas a longo prazo, que não deve exceder um ano, deve estar quase moribundo ou então num golpe de asa consegue sobreviver. A ver vamos, e sofrendo, no entanto, as agruras da crise.
PS.: já estava este post escrito, quando me chegou à caixa dos e-mails a notícia que circulava na net e no facebook uma petição referente ao pluralismo de opinião no debate político-económico. No fundo, vinha na sequência das denúncias que eu tinha feito relativamente à ofensiva político-ideológica que pretendia transmitir um pensamento único nas televisões. O site é este e, se os meus leitores estiverem de acordo, assinem.
Ecos na blogosfera (1)
Contra os “Dupond et Dupont” da economia: petição pelo pluralismo do debate político-económico nos média
por Henrique de Sousa
É cada vez maior o número dos que estão fartos de levar em cima com a ocupação do espaço público e mediático pelos “bonzos” bem pagos do pensamento único da economia. Os mesmos que (quase) sempre se enganaram, mas nunca têm dúvidas quanto à orientação de apertar o cinto dos “de baixo” e de preservar os privilégios dos “de cima”, em nome da acalmia e estabilidade dessa entidade mitificada que são “os mercados”, a nova religião que nos querem impingir.
São os novos “Dupond et Dupont”, os guardiões do templo do pensamento neoclássico e neoliberal na economia das universidades, às vezes com umas pitadas (cada vez mais ténues e esquecidas) de keynesianismo à mistura. Com passagem por sucessivos governos e administrações de bancos e grupos económicos, frequentemente acumulando escandalosas reformas, e que o poder económico e político usa e compra, quer para explicar as medidas anti-sociais, quer para preparar o terreno para os assaltos seguintes à carteira dos cidadãos comuns.
Sucessivas gerações´de economistas formados neste ambiente académico e mediático ajudam a explicar a tibieza do protesto e da revolta contra a monotonia do discurso neoliberal e o conformismo e passividade relativamente à sua tese máxima de que “não há alternativa”. Tese proclamada pela nada saudosa Thatcher ( lembram-se do acrónimo TINA – “There is no alternative” ?) que, com Reagan, protagonizaram e impulsionaram no plano das políticas o neoliberalismo como doutrina da globalização capitalista e do reforço mundial do poder, da concentração e dos recursos do grande capital, depois dos “30 gloriosos” do pós-guerra em que este se vira constrangido aos compromissos do Estado Social entre capital e trabalho nas sociedades demoliberais.
Felizmente que está a surgir um número cada vez maior de vozes lúcidas na Economia (neomarxistas, keynesianos, institucionalistas,…) que, nas universidades e fora delas, provam que há mais mundo, mais ideias, mais alternativas e caminhos além dos proclamados pelos sacerdotes do TINA. E uma nova geração aí está a provar que nesta área não se vergam nem acomodam ao situacionismo dominante (é ver, como exemplo, o blogue Ladrões de Bicicletas). É mais que tempo de terem também voz no espaço público e mediático!
Merece por isso todo o apoio a petição on-line pelo pluralismo de opinião no debate político-económico que acaba de ser lançada exigindo que se acabe com esta vergonhosa e ostensiva imposição de um pensamento único nos média, afinal nada compatível na teoria com as credenciais liberais que os seus propagandistas de serviço gostam de ostentar, de modo a que todos os cidadãos tenham acesso à diversidade de análises e opções existentes.
Neste tempo em que nos mergulharam numa espiral suicidária e recessiva de PECs, temos direito e é preciso um debate plural e verdadeiramente contraditório que não nos limite às receitas do costume. Assinem aqui a petição e passem a palavra!
por Henrique de Sousa
É cada vez maior o número dos que estão fartos de levar em cima com a ocupação do espaço público e mediático pelos “bonzos” bem pagos do pensamento único da economia. Os mesmos que (quase) sempre se enganaram, mas nunca têm dúvidas quanto à orientação de apertar o cinto dos “de baixo” e de preservar os privilégios dos “de cima”, em nome da acalmia e estabilidade dessa entidade mitificada que são “os mercados”, a nova religião que nos querem impingir.
São os novos “Dupond et Dupont”, os guardiões do templo do pensamento neoclássico e neoliberal na economia das universidades, às vezes com umas pitadas (cada vez mais ténues e esquecidas) de keynesianismo à mistura. Com passagem por sucessivos governos e administrações de bancos e grupos económicos, frequentemente acumulando escandalosas reformas, e que o poder económico e político usa e compra, quer para explicar as medidas anti-sociais, quer para preparar o terreno para os assaltos seguintes à carteira dos cidadãos comuns.
Sucessivas gerações´de economistas formados neste ambiente académico e mediático ajudam a explicar a tibieza do protesto e da revolta contra a monotonia do discurso neoliberal e o conformismo e passividade relativamente à sua tese máxima de que “não há alternativa”. Tese proclamada pela nada saudosa Thatcher ( lembram-se do acrónimo TINA – “There is no alternative” ?) que, com Reagan, protagonizaram e impulsionaram no plano das políticas o neoliberalismo como doutrina da globalização capitalista e do reforço mundial do poder, da concentração e dos recursos do grande capital, depois dos “30 gloriosos” do pós-guerra em que este se vira constrangido aos compromissos do Estado Social entre capital e trabalho nas sociedades demoliberais.
Felizmente que está a surgir um número cada vez maior de vozes lúcidas na Economia (neomarxistas, keynesianos, institucionalistas,…) que, nas universidades e fora delas, provam que há mais mundo, mais ideias, mais alternativas e caminhos além dos proclamados pelos sacerdotes do TINA. E uma nova geração aí está a provar que nesta área não se vergam nem acomodam ao situacionismo dominante (é ver, como exemplo, o blogue Ladrões de Bicicletas). É mais que tempo de terem também voz no espaço público e mediático!
Merece por isso todo o apoio a petição on-line pelo pluralismo de opinião no debate político-económico que acaba de ser lançada exigindo que se acabe com esta vergonhosa e ostensiva imposição de um pensamento único nos média, afinal nada compatível na teoria com as credenciais liberais que os seus propagandistas de serviço gostam de ostentar, de modo a que todos os cidadãos tenham acesso à diversidade de análises e opções existentes.
Neste tempo em que nos mergulharam numa espiral suicidária e recessiva de PECs, temos direito e é preciso um debate plural e verdadeiramente contraditório que não nos limite às receitas do costume. Assinem aqui a petição e passem a palavra!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Comunicado de Imprensa (1)
Lançada a 5 de Outubro de 2010, circula na Internet a Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, que ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana.
Os signatários insurgem-se contra o tom monolítico e redundante que tem dominado os meios de comunicação social no que concerne à análise da crise e à apreciação das medidas de austeridade em curso, que resulta em larga medida do convite recorrente a um leque muito limitado de comentadores, em regra alinhados com uma única perspectiva sobre as questões em debate.
Os subscritores consideram, portanto, existir um preocupante silenciamento de «diversos sectores político-sociais e de reputados economistas que têm contestado a lógica das medidas adoptadas», exigindo no texto, «aos órgãos de comunicação social – em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar “serviço público” – que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada».
A petição tem como destinatários as direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; responsáveis por programas de televisão centrados na análise de questões político-económicas; grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
terça-feira, 12 de outubro de 2010
O compressor
Daniel Oliveira
Expresso (9 de Outubro 2010)
Expresso (9 de Outubro 2010)
O desfile televisivo de economistas-comentadores que nos vendem certezas tonitruantes chega a ser desesperante. Varia no grau do radicalismo: devia ser pior ou assim é suficiente; veio tarde de mais ou agora era o tempo. Varia no estilo, que pode ir do populismo desvairado de Medina Carreira às banalidades de Cantigas Esteves. Mas todos os dias, todas as horas, temos direito a este redundante massacre. Massacre que os comentadores-leigos repetem, mais por preguiça do que por convicção.
Este sequestro do debate político não resulta de uma conspiração. Resulta, antes de mais, do assalto das correntes neoliberais à Academia. Os economistas realistas (sim, utópico é pensar que se recupera com recessão) foram quase banidos da Universidade portuguesa. Os estudantes estão limitados aos manuais do "sobe e desce" e a um dogmatismo ideológico comparável aos tempos em que a vulgata marxista tomou conta da Universidade. Com uma diferença de fundo: a Academia deixou de ser um espaço autónomo do poder económico para se transformar no seu prolongamento. A ideia de que a escola deve estar ao serviço das empresas, e não de toda a comunidade, comprou a inteligência.
Aconteceu exatamente o mesmo com a comunicação social. Com a redução do poder das redações e a crescente proletarização dos jornalistas, qualquer sinal de espírito crítico foi aniquilado. Mesmo que um jornalista tenha dúvidas, a ideologia dominante impõe-se, legitimada que está por todos os poderes: o académico, o económico e o político. Esse consenso foi rompido por uns meses, aquando do subprime e da crise da banca. Mas as tropas de choque reagruparam-se. Quem é que se lembra da urgência em disciplinar os mercados financeiros? Agora a palavra de ordem é emagrecer o Estado.
A coisa tornou-se de tal forma pornográfica que, esta semana, um grupo de cidadãos lançou uma petição "Pelo pluralismo de opinião no debate político e económico" na comunicação social. Assinei sem esperança. O processo de comercialização de todos os focos de informação torna impossível qualquer debate mediático justo. Resta usar os instrumentos alternativos que a tecnologia nos oferece. Para ler, por exemplo, um longo e fundamentado documento redigido por um grupo de académicos franceses que foge da linha obrigatória ("Manifesto dos Economistas Aterrorizados", que pode ser encontrado na Net em português). Nas televisões, apenas podemos ver propaganda. A que se bate por este processo de engenharia social, que usa a crise provocada pelos especuladores financeiros para arrasar o Estado social e reduzir os custos do trabalho. Poucas ditaduras conseguiram ser tão eficazes no silenciamento da divergência.
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